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Paint your perfect day [entries|archive|friends|userinfo]
rodurigo

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[Links:| Los Cabrones Bedtime stories at noon Maira Carvalho ]

Zeitgeist nº13 [Jun. 14th, 2009|04:21 pm]
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[Current Location |Zeit]
[Current Mood | ecstatic]
[Current Music |Apocalyptica - Somewhere around nothing]



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8 ou 80, às vezes me pego fazendo coisas completamente irracionais. Esta foi antes de engajar numa conversa com um senhor que me encheu de amendoins e pinga de arroz. Entrei no vagão 11 do trem e olhei bem a placa que indicava a direção da poltrona 8. Mas logo aos primeiros passos percebi que os números aumentavam; 47, 53, 65... Mesmo assim não tive o ímpeto de voltar. Parei diante da 80 e só então virei o corpo; vinha um mundo de gente que eu teria de esperar passar para poder seguir em direção decrescente. Quando cheguei à poltrona 8, havia um homem dormindo lá. Procurei, sem sucesso, um assento por perto, afim de não incomodá-lo. A ferro-moça veio em meu socorro e, enfim, acordamos o moço e pedimos para ele mostrar o bilhete. Falei para ele não se incomodar em mudar-se dali, eu iria para onde o bilhete dele indicasse. De fato, era o 80.

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Zeitgeist nº12 [Jun. 8th, 2009|02:37 pm]
[Tags|]
[Current Location |Algum canto da mente]
[Current Music |Los Hermanos - O velho e o moço]

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Você deve ter notado que engasgo sempre que me fala sobre o seu pai. Me fogem as palavras completamente, talvez até por não compreender muito bem o amor paterno. Meu avô segue falando cada vez menos; me pergunto se, quando chegar ao Brasil, ele ainda me dará aquele sorriso calado, com os olhos úmidos, que tanto me confortou na última visita que o fiz. Tive uma idéia de chamar o meu primo para aprender umas modas que ele gostava, quem sabe não conseguimos puxar algo do canto da memória ou injetar alguma alegria nos dias dele. Fico imaginando se meu avô, ou seu pai, quando ficam calados; se perdem em algum lugar do sub ou inconsciente a reviver, refinar ou compreender melhor a própria vida. Se vivem uma nova vida, aquela que não foi e ficou gravada na mente como espaço negativo. Daí não seria só sofrimento, como também uma tarefa das mais nobres, a qual vale dedicar o tempo que resta. Só sei que está chegando a hora de sermos fortes por eles, como sempre foram por nós.

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Pudong budong [May. 24th, 2009|06:02 am]
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[Current Location |Changchun]
[Current Music |Faunts - Feel.Love.Thinking.Of]

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A tv do portão 3 do aeroporto internacional de Changchun me arranca um sorriso ao noticiar os 100 anos de Nyemeyer, continuando com a sempre pertinente cobertura da corrida de carros com outro carro amarrado em cima. Lá na terra do Barack, claro.

É a primeira vez que pego um vôo doméstico na China e, se posso aproveitar meu edulcorado sorvete depois de realizar – Deus sabe com que cagaço – tudo o que me havia proposto, também amargo a primeira obstrução no caminho. Bom timing. Escolhi o vôo das 18:35 para Shanghai, em vez de algo direto a Hangzhou, temendo que o útlimo avião para esta última, das 15 hs, me levasse a uma correria com a entrevista na CRC e aniquilasse qualquer chance de ir ao palácio que foi a última morada do imperador “fantoche” Puyi. Bernardo Bertolucci eternizou-o nas telas como o útlimo imperador mas, aqui em Changchun, um rancor sistematicamente decantado o considera mais um degenerado títere dos japoneses. Ah, sim, voltemos do tenro mundo da história especulo-comparativa para o que houve neste belo dia.

O trem chega de Hangzhou após 30 horas de concentração e descanso em movimento, tiro fotos da estação, tomo café da manhã no KFC, teço os últimos preparativos num cyber-café (e até encontro meu amor!), descubro que Changchun tem bonde, tiro mais uma pancada de fotos, pego 3 minutos de taxi até a CRC, a entrevista sai – apesar de minha falta de jeito com a língua e com entrevistas, visito a linha de montagem com meu caro guia e guru ferroviário Huang, ele me leva pra almoçar e pergunta que planos tenho para a tarde livre em Changchun. “O que tem de bacana além do palácio do Puyi?”. A resposta vem na forma de um comunicando ao motora: “Já pro palácio do imperador fantoche!” 3 horas de um fascinante mergulho na na história e na inconformidade chinesas, pego um táxi que nem foi tão caro ou demorado até o aeroporto. É limpo, organizado, quase sem filas e de procedimentos fluentes que me levam rapidamente até o ecran que arrola as partidas daquela noite só para constatar que o nosso bólido só sairia às 8. Um atraso de uma hora e meia que me impede de pegar o Maglev para o centro e o último trem para Hangzhou.

Será que se eu bolar um fuzuê eles me colocam num daqueles hotéizinhos reservados ao passageiros que realmente têm um problemão? O meu é só não querer pagar cento e cassetada num táxi ou domir no aeroporto. A última opção, sem-dúvida, é a mais atraente.

Na frente da fila de embarque da China Eastern, evidente =j

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LOST - Histórias perdidas de Weizhou [Apr. 28th, 2009|05:03 am]
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[Current Location |Sul da China]
[Current Music |Little Joy - How to hang a Warhol]

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Seguindo a lógica do "recordar é viver, revisar é aprender", 温故而知新 (reveja o velho, só então conhecerá o novo), resgato aqui algumas fotos e palavras que escrevi em chinês nos dias em que errei pelo sul da China procurando me perder um pouco. Os escritos se referem aos dois últimos dias na ilha; os primeiros não me lembro ao certo como passei; provavelmente procurando comida e tentando retirar as pedras e/ou corais que me furaram os pés e as mãos naquele dia em que saí andando pela praia com Lion e Rafale (dois fiéis escudeiros caninos sem nada melhor pra fazer) e resolvi cortar caminho atravessando a enseada a nado.





Queria aproveitar isso aqui pra uma tarefa de casa, "Relato de viagem com fotos", mas descobri que já o fiz; a professora é a mesma, nhé - resta traduzir a odisséia tailandesa, reviver mais, revisar mais; novas palavras surgirão e o aprendizado se consolidará, hohoho!



Como nem tudo na vida é repetição e trabalho bruto, pouparei-me de passar o relato de Weizhou para o idioma luso: sempre quis saber até que ponto o tradutor da Google pode ser fiel, hehehe!



相反的两天

在涠洲岛我过了四天;最后两天的一些事情比较有意思。因为这两天(十月一号和二号)发生的差点全部都不同,所以,对我来说,好像就是同样故事;情况都很互补。



一号:那天,我打算租一辆自行车去一个西南沙滩吃我以前准备的早餐。可是那个上午不太顺利:先因为租了一辆有一只坏轮的自行车,所以十分钟后就回来了换车。然后发现了地图忘了带来,就得回去青年宾馆拿一张。那时,宾馆老板告诉我那辆车不太好,可宾馆自己的车都已经租完了;我一天之内换了三辆。第一和第二辆都糟糕,第三辆除了坏的以外,在车座上还有一条蛇。我给老板说“你没车,我没办法”。我就上到石螺口沙滩吃早饭,让大阳把我晒黑一点。可饼干难吃,香蕉都黑了,果汁跟茶一样热。我决定了继续骑自行车到北方;一到了一个西方的小码头,自行车就坏了。我得叫一位有大摩托车的师傅带我到租车店;他们老板不想给我退钱。因此我告诉师傅:“只有他们给我退钱我才能付您的车钱”。说这些话之后商量比较顺利,师傅就努力地帮助我劝说他们了。离开时我还生气地喊“你们把这些车修好,要不然我要告诉公安你们想杀死顾客们”。别的顾客都不理他们所看到的,好像只认为我是个疯子外国人(没错,没错)。我对骑自行车灰心了,只好吃点鱼,茄子,然后回宾馆睡大觉。醒时我走着路再去石螺口沙滩吃冰淇淋,游泳一点,思考生活的事情。开始感觉我的好运回来了:那里的海又清楚又凉快,夕阳多漂亮。那么好的风景让我很想我女朋友,妈妈和家人,说实在的我感到了一点寂寞。突然,一位姓李的先生叫了我帮他练习英语;聊一会儿天后他请我去他的家吃晚饭了。他着急地说:“我们家很简单呢”,因此我就告诉他“没问题,我妈妈,爷爷,奶奶都是巴西的农村人,我特别习惯这样的环境吧”。吃晚饭以后,虽然我给他说“请留步!”但是李先生还想送我到宾馆,所以我们轻松地散散步,下山比较容易(噢,李先生回去的时候应该有一点不舒服了)。到宾馆时我还跟同屋们坐了一会儿喝点啤酒,吃点那些中国人喜欢的种子老板送给我们了。



二号:在巴西有个歌手一次说:我是巴西人,决不放弃。所以,休息以后,我更早起了床再找一辆好的自行车。找到了以后我记得在昨天吃午饭的饭店有一些好看的面包,去那里时顺便买了香蕉,好的饼干和牛奶。我把自行车锁了好,除了咖啡,火腿以外桌子上有我所喜欢的早餐了,我一边吃,一边写明信片给我妈妈与女朋友。很多中国人来了看那个左撇子,写着奇怪字的小伙子。他们都以为是英语,中国人一看到“老外”就假定他是说英语的。我给他们说明我写的都是葡萄牙语;还有一些我女朋友能看得懂的汉字。吃和写完后我骑车到涠洲天主教教堂祈祷一会儿,看点书。“根据耶稣的福音”是一本非常有意思的书,跟圣经不一样:它的作者,Fernando Sabino,是葡萄牙人。他使用比较熟的风格讲耶稣的故事,结果是一个新鲜观念。在教堂里跟两个湖北人聊会儿天关于巴西,宗教,等等。吃一块冰淇淋后我再骑车了,想到北边的海滩,但是我迷路了,半天后才能到那里。看到大海,白色沙子和一家小饭馆的时候我都感觉刚到的地方是一个绿洲。在饭馆的阴影下我“修复”了被大阳晒累的身体,也惊喜地碰见了我刚刚在教堂认识的湖北人。在那个沙滩吃了牡蛎和黄瓜,喝了一瓶啤酒,睡了大觉,游泳了和看着洛阳散散步了,终于骑车为了七点钟到租车店。然后,在码头附近坐了一会儿,吃麻辣海鲜串,照相晚上娱乐;连烟花也有。上网以后(累死的)我就安静地睡觉了。



Dois dias opostos

Tenho estado em quatro dias para Weizhou; os dois últimos dias algumas coisas são mais interessantes. Como esses dois dias (1. Outubro e II) ocorreu em quase todos diferentes, por isso, para mim, como se a história é a mesma, a situação é muito complementares uns aos outros.



Primeira: no outro dia, eu pretendo alugar uma bicicleta a uma praia sudoeste pronto para almoço eu costumava fazer. Mas naquela manhã, não muito bom: em primeiro lugar, porque há um alugar uma moto uma má ronda, para voltar 10 minutos após a transferência. E depois esquecer de encontrar o mapa, você deve voltar e ter uma juventude hotel. Naquela época, o hotel proprietário disse-me o carro não era tão boa, o hotel do próprio carro pode ter sido o final de renda; Mudei um dia três. A primeira ea segunda veículos são ruins, o terceiro, além de mau do que outros veículos, no banco, há uma cobra. Eu vou dar o chefe disse, "você não tem carro, não posso." Eu tenho a pedra sobre a praia Edison almoço, para que o meu ponto domingo curtimento. Pode ser desagradável bolachas, as bananas são escuros, como o chá quente com sumo de fruta. Tenho decidida a continuar a bicicleta para o norte; um ocidental a um pequeno cais na moto quebrada. Eu tenho uma moto grande chamado de mestre para me levar para a loja de locação de automóveis, os seus patrões não querem dar o meu dinheiro de volta. Então eu disse ao capitão: "Só eles podem dar-me o meu dinheiro de volta para pagar o seu preço." Após o que, para discutir essas coisas sem problemas, mestre sobre os esforços para me ajudar a convencê-los. Saí irritado e gritando "Você coloca estes carros para fixar, caso contrário, eu diria de segurança que pretende matar os clientes." Outros clientes têm de ignorar o que vê, parece que só um louco eu sou um estrangeiro (sim, isso mesmo). Estou desmotivada pela moto, e não tinha alternativa senão a de comer peixes, berinjela, e depois voltar para o hotel dormir. Eu caminhei até a estrada novamente rochas da praia de comer gelados Edison, nadar um pouco, pensando em coisas vivas. Comecei a sentir a sorte de volta: não há clara e fria eo mar, um belo pôr-do-sol. Bom, bom cenário para que eu gostaria que a minha namorada, minha mãe e familiares dizer a verdade, me sinto um pouco solitário. De repente, um do Sr. Lee me pediu para ajudá-lo a prática Inglês; chat depois de um tempo que ele me convidou para sua casa para comer o jantar. Ele disse ansiosa: "Nossa família é muito simples, então," Eu disse a ele "Não tem problema, minha mãe, avô, a avó das populações rurais do Brasil estão, eu costumava deixar tal ambiente." Após o jantar, embora eu lhe disse, "Por favor, fique!" Mas o Sr. Lee também gostaria de me dirigir ao hotel, por isso, facilmente dar um passeio, para baixo mais facilmente (Oh, Sr. Lee deveria voltar para uma época em que existe um ponto de desconforto). Eu disse o hotel para se sentar para um quarto, enquanto que bebem cerveja, comer aquelas sementes do povo chinês como o patrão deu-nos.



II: Existe no Brasil uma cantora disse uma vez: sou um brasileiro, nunca desistir. Por isso, o resto, considero um bom起了床anteriores moto. Lembro-me mais tarde encontrada no hotel para o almoço de ontem, há alguns nice pão, quando houver顺便买uma banana, uma boa biscoitos e leite. Tenho uma boa moto bloqueio, além de café, presunto sobre a mesa que não seja eu gosto de tomar café da manhã, vou comer um ao escrever postais para a minha mãe ea namorada. Muitos chineses vêm para ver que a mão esquerda, o jovem diz que a palavra estranha. Todos eles pensaram que era Inglês, o povo chinês para ver "estrangeiros" no pressuposto de que ele estava a falar Inglês. Dei-lhes tudo o que eu escrevo em Português, existem ainda algumas para a minha namorada pode ler os caracteres chineses. Depois que eu terminar de comer e de equitação, a Igreja Católica para orar Weizhou momento, destacar o livro. "De acordo com o Evangelho de Jesus" é um livro muito interessante, não é o mesmo que com a Bíblia: é autor, Fernando Sabino, é o Português. Ele destaca o uso de estilo比较熟a história de Jesus, o resultado é um novo conceito. Na igreja com os dois dias de conversa mais tarde, em Hubei, no Brasil, religião, e assim por diante. Comer sorvete depois de um pedaço de mim para passear, eu estava pensando no lado norte da praia, mas eu perdi o meu caminho, depois da metade de um dia lá. Ver o mar, areia branca e um pequeno restaurante, quando eu cheguei ao local a sensação é um oásis. Sob a sombra do restaurante I "reparação" foi o sol secar o corpo cansado, mas também agradavelmente surpreendidos ao encontrar uma igreja Só sei em Hubei. Comer areia nas ostras e pepino, uma garrafa de cerveja bebendo, dormindo o grande sono, natação e assistindo a um passeio em Luoyang, e, finalmente, sete a carona para o arrendamento loja. Então, sente-se perto do cais por um tempo, comer marisco picante seqüência, fotografia entretenimento nocturno; mesmo ter fogos de artifício. Após a Internet (cansado de), vou dormir tranquilamente.



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Mustelídeos no reino dos elefantes - Parte 3 [Apr. 26th, 2009|09:16 am]
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[Current Location |China Academy of Art]
[Current Mood | gloomy]
[Current Music |Faunts - It hurts me all the time]

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Em Ko Samui rejeitamos vários taxis até chegar a um dos pequenos e chamosos coletivos praianos; mais estilo e frescor por um quinto do preço. Achar o hotel é que deu um puta trabalho; volta pelo quarteirão, ponte e inúmeras “dicas” depois, chegamos pela entrada dos fundos só pra descobrir que a área à frente se desdobrava até à pista em que tínhamos sido deixados.






Como se a preocupação fosse um daqueles restos da cola de algum adesivo – que só saem com unhadas ou bombril – me pegava nervoso, apressado ou com uma deadline inexistente na cabeça; elas eram muitas e, quando me dava conta, percebia que estavam realmente mortas. E que podia relaxar. Depois do almoço fomos à praia e encontramos dois brasileiros; um deles morava ali, tinha virado lutador de Muai-Thai; o outro estava em meio a um open-jaw pela asia e, como a gente, acabava de chegar da China.

Os fogos de artifício na praia ficaram com gostinho de quero mais e germinaram, algum tempo depois, em presepada pirotécnica em outras praias. Muitos banhos de mar, panturradas, manhas (alguns estresses, como não?) compras e desjejuns depois, fechávamos o par de dias na ilha com uma autêntica massagem tailandesa, isto é, duas senhoras miúdas de mãos possantes combatendo a pressão com pressão, tensão com distensão, ou ao menos me parecia estar a ponto de distender. O barulho do mar, a brisa e o desejo de não ficar pagando mico bem do lado da namorada me mantiveram no transe.







Pegamos um táxi e realizamos o caminho reverso – ferry/bus/trem – até Bangkok, onde desembarcava também um grande contingente de soldados; felizmente não dava pinta de golpe de Estado.





Pra não dizer que não fomos a um dos trocentos templos e palácios, deslizamos pela manhã num water-bus pelo Chao-praya até o Grand Palace, em toda a sua glória e pompa.












O jogo sensação da garotada foi o “Onde está a bicudinha?”






Seguiu-se a panturrada-mor, quando cruzamos meia-cidade a pé e de metrô, comprando as últimas lembranças e descobrindo a cidade por dentro; até um Gates tailândes Janaína conseguiu achar.





Iniciamos então a série de vôos e trens que nos levariam pra casa: Bangkok-Shanghai, (Maglev e metrô até a estação de trem), Shanghai-Hangzhou (trem). Depois de um breve pit-stop, Hangzhou-Beijing (trem noturno), Beijing-Toronto, Toronto-São Paulo, (translado de Guarulhos para Congonhas), São Paulo-Brasília e casa, enfim.

Tchau pro seu panda, seu elefante! E o Brasil? É uma onça, anta, tamanduá ou é o Ararajuba?

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Mustelídeos no reino dos elefantes - Parte 2 [Apr. 6th, 2009|04:43 am]
[Tags|, , , , ]
[Current Location |Ah, Ko Samui!]
[Current Mood | busy]
[Current Music |The Caesars - No tomorrow]



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Os trens – mais precisamente os vagões-leito – tailandeses têm três diferenças principais em relação aos chineses e europeus. A primeira é que os leitos funcionam num sistema bem legal se você tem acompanhante ou quer estabelecer contato com seu par: sim, os assentos são divididos de dois em dois, um de frente para o outro – e não o “todos de frente pra nuca alheia” dos ônibus e aviões. Na hora de dormir, o leito inferior se aplaina qual um tranformer-cama e com uma cordinha puxa-se o leito de cima, no qual ficam as roupas de cama; daí há uma certa morosidade em aguardar o ferro-moço arrumar todas – eu tentei adiantar uma delas, mas não fica profissa como a dele. Desse modo, pelo menos o “e aí, hora de dormir?”, este pequeno contato, os passageiros trocarão.



A segunda diferença é que o serviço de bordo mostrou-se extremamente solícito e eficiente; mal chegamos e perguntam se queremos algo para beber, dão-nos o menu para o jantar e para o café da manhã. Pedimos a refeição noturna e cervejas – que antes da janta também são muito boas “pra ficar pensando melhor”. Uma mesinha é montada entre as poltronas tão logo a bebida chega e, de fato, só esquecem de trazer a cerva de nosso vizinho escandinavo, cujo nome e facebook também – vergonhosamente – perdi. Ele estava indo para a famosa Festa da Lua, numa ilha vizinha.



As luzes continuaram acesas ao centro, e foram fechando-se as cortinas – sim, cortinas! – de cada cabine, numa mostra de privacidade em meios de transporte que, voilá, é a terceira diferença entre os trens tailandeses e os outros em que já deslizei. (Beleza de privacidade =) Logo o dia chegou, com ele, o desjejum e, inevitavelmente, o fim da viagem de trem; o começo do translado não tão confortável em ônibus, mas regado de conversas e mimos no entressono (um neologismo?). No ferry para Ko Samui, salgadinhos e M&M’s pra disfarçar a fome; nada de estragar a nossa primeira refeição na ilha com comida de marinheiro.

É bom viajar bem-acompanhado =j

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Mustelídeos no reino dos elefantes - Parte 2 [Mar. 30th, 2009|08:47 am]
[Current Location |Low tones of a viola]
[Current Mood | accomplished]
[Current Music |Anni Rossi - Venice]


Guirlanda naval
Originally uploaded by Rodri B..

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Começamos o segundo dia de viagem com um passeio que aparecia como “brinde” no site em que reservamos o hotel; pedem-nos algo como 10 reais na hora de sair e, se o conceito de brinde pago ainda nos surpreende na Ásia, o valor também não compensava fazer outros planos. Taí o pulo do gato, não?



Entramos na van e seguimos para o hotel de um casal malásio, que nos acompanharia. Mal nos apresentamos e, no primeiro cruzamento de ruelas, a van bate num tuk-tuk. Ou o tuk-tuk bate na van; supreendentemente, é a última que se vê um pouco amassada ante o triciclo intacto. Os pilotos conversam, caras feias, espero a discussão. Ela não vem. Fico surpreso em ouvir que a etiqueta tailandesa prega uma peleja silenciosa tão diferente dos embates sino-tupiniquins. Devia ser ordem do rei; o pessoal respeita um bocado o rei por aqui, mas isso só perceberíamos melhor mais tarde. Enquanto a polícia não chegava, meteram-nos numa outra van e fomos pegar o barco que nos levaria pelo Chao Phraya e numerosos canais dando acesso a templos, casas, hoteis. Nem todas as vias estão no mesmo nível, o que faz necessário um sistema de dragas á la Canal do Panamá, consideradas as proporções.




As casas tinham uma arquitetura variadíssima, sendo uma certa grandiosidade – kitsch sofisticado ou pompa decadente – o tom geral dos constructos, alguns com varandinhas deliciosas na margem. Paramos em um lugar com uma providencial lenda: alimentar os peixes aqui dá sorte. Um prática lojinha para comprar pão. E um lesto rapaz que entregava as oferendas e coletava o dinheiro deslizando em uma prancha de isopor. Assim que os nacos tocam a água, ou até antes disso, sua serena face explode em bocas, nadadeiras e barbatanas se debatendo. “Pode até dar na boquinha deles” diz a guia e, no que abaixamos o corpo, vejo meus óculos-escuros deslizando em câmera-lenta até o torvelinho de escamas. Virou comida de peixe. Fiquei atônito, gostava daqueles óculos; mas não tinha a menor vontade de deixar aquilo estragar o dia; no fundo – do rio – aqueles se foram depois de bem servir, arranja-se um par mais legal e mais umas linhas pro anedotário.



Lá pelo terceiro templo que o barco margeou, já estávamos parafraseando a Daniella Mercury:

Quanto templo tem
Pra achar nessa cidade
Meu bem, o budismo
É pura santidade

Se tu fode o templo
Choca a sociedade
...

Paramos para tentar trocar o verbo foder, mas ele tinha encaixado muito bem na métrica, o que, por sua vez, fodeu com a tentativa de fazer uma música ingenuamente alegre com temas religiosos. Do rio e suas dragas, fomos dragados para um luxuoso feirão de jóias, onde pareciam concentrar-se todos os turistas de todos os passeios “brinde” da manhã. Falamos pra guia que é melhor aplicar o dinheiro em viagens, no que ela nos leva a sua agência, onde um sujeito lesto e sorridente nos convece gentilmente que não dá pra conhecer a Tailândia nos nem 5 dias completos que tínhamos pela frente. Não doeu tanto optar pela praia, afim de solapar as lembraças no inverno.



Sairíamos naquela mesma noite, mas antes, matamos a vontade de ver Madagascar 2 num dos famosos complexos de salas de cinema bankokianos. Bem quando “não digo quem” fazia uma travessura, somos convidados a levantar e ovacionar o rei por alguns minutos. Ao lembrar da história do escritor australiano que foi parar acorrentado numa cadeia depois de insinuar uma crítica à monarquia, eu, que nunca levantei pelo Pelé, o Elvis ou o Roberto Carlos, pus-me de pé rapidinho. Uma das razões para se deixar Bangkok por aqueles dias, pensamos, era a eleição para a prefeitura; sabe-se lá o que vão interditar depois do ocorridos nos aeroportos. Compramos mantimentos e adentramos o trem; estes geralmente não são interditados haja o que houver. Deixa Bangkok decidir sobre seu próximo benfeitor. Oxalá o povo e o rei concordem.

Y vamos a la playa...!

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Mustelídeos no reino dos elefantes - Parte 1 [Mar. 21st, 2009|07:28 am]
[Current Location |Hangzhou's spring, at last!]
[Current Mood | rejuvenated]
[Current Music |Little Joy - Brand new start]

("Ain't no lover like the one I've got, ain't no lover like the one I've got, she and I have a brand new start, gotta give all my love")

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Na qualidade de pequenos mamíferos safos, a incursão tailandesa parecia-nos uma grande escapada: tinha um panda grande, temperamental e burocrático atrás da gente. Terminávamos o ciclo de aulas, tração-própria (econômicas caminhadas e bicicletas públicas), eventos que eu apresentava e Nana suportava, bocas livres ou não, excursões e burocracia do início ao fim; desde o aluguel - miraculoso - da toca que mantivemos por um mês, até o translado para o aeroporto internacional de Shanghai. O panda nos taxou - e tachou também - de todas as formas possíveis: trem, táxi, hotel para esperar o vôo sair; o aeroporto está sendo desativado pela madrugada em virtude dos preparativos da Feira Internacional de Shanghai, em 2010, de modo que não pudemos chapar por lá.

Mas, uma vez dentro do avião da Thai Airlines, o panda pareceu assustar-se: refugiáramos à saia de um altivo e tranqüilo paquiderme, dois animaizinhos temporaria e providencialmente protegidos da chuva fria de Hangzhou. O staff falava inglês fluente e não mediu esforços em nos ensinar as primeiras palavras em tailandês, sugerir praias, passeios. "Smooth as silk", garantia o slogan, mas havia alguns reativadores de tensão: primeiro, ficamos nas cadeiras 44, possivelmente o pior número da cultura sino-japonesa por designar morte dupla. Segundo, o preço da passagem mostrara-se tão acessivel na esteira da crise que recentemente havia fechado os aeroportos tailandeses e comprometido 40% do turismo. Por fim, o trem de pouso, ao estirar-se, teve um pequeno estralo/espasmo que emitiu um som tanto parecido à explosão de uma turbina, criando um certo mal-estar entre os passageiros, como se pode imaginar; apertei forte a mão de Janaína e creio que, dessa vez ao menos, fui o maior contribuinte do efeito mão-de-piscina. Mas o avião pousou macio, o aeroporto estava aberto e , tal como no Brasil, 44 parece ser um número qualquer em Bangkok. Outro susto acabou por evidenciar que podíamos andar mais tranqüilos por ali; na falta dos comprovantes de vacinação da febre amarela e igual impossibilidade de tomar outra dose - sendo esta fatal - contamos com o apoio de uma prestativa funcionária da vigilância sanitária, que nos carimbou os tais documentos e mostrou algumas notas de bahts e dólares. Em ato reflexo, saquei uma nota de 100 yuan que brilhou em seus olhos. Ela coletou a taxa rapidamente enquanto eu ainda estava no processo de entender que estávamos dando um jeitinho.



O calor, o cansaço, o guia lonely planet da Tailândia e sabe-se lá mais o quê, tudo isso, nos aflorou uma euforia que o menu de passeios do taxi só reificava: nos 6 dias que tínhamos planejávamos ir a mais três cidades, pegar uma praia, um trem turístico e dar um pulinho no Camboja, será que precisava de visto? Mas como o próprio sistema bancário tailandês demonstrou, nem sempre as coisas fluem com tanta facilidade; agora eram o meu cartão de crédito e seu diminuto poder de saque os únicos a funcionar; benza Deus perdemos o trem de Hangzhou para Shanghai na tentativa exitosa de resgatar meu salário das aulas de português, a cotação de 5 Baht para cada Yuan nos garantiu uma estada tranqüila. Me senti gente grande novamente depois de não conseguir comprar nem a passagem para a Tailândia, nem a Brasil-China com meu crédito. É estranho ter dinheiro e não ter crédito.

Flanamos tranquilamente pela tarde/noite de Bangkok, tomamos keep-cooler de vinho tailandês ("Morenaaaa, quero tomar outro SPY!") e, eventualmente sentamos para um almoço tardio no restaurante de um hotel, pois simplesmente colapsei em meio à caminhada, como se todo o cansaço daquele último mês desabasse sobre mim. Na China, toca e as manhãs de manha tinham sido o único e salvador refúgio daquele mar gelado de testes, eventos e "picadas" que abríamos no ar úmido, pesado, em busca de algum artigo de necessidade ou encomenda. A bebida, o morno entardecer e a fome me retiraram do estado de alerta e J acabou me guiando, cego, surdo e mudo, até o primeiro lugar que pareceu decente. Não conseguia nem decidir o que comer quando avistei um enorme elefante passando em plena rua. Virei-me para contar à minha comparsa que estava alucinando, só para também vê-la boquiaberta. Energias recobradas, descobrimos e melhor gelatto de chocolate da cidade e ainda tivemos energia para - à contragosto de um velhinho enxerido qua não compreende as necessidades frívolas da juventude - exigir a wireless oferecida em nossa chegada. O chefe não estava, as suítes dos andares com serviço ativo estavam ocupadas e parecia que bater o pé, tal como na China, não ia salvar a gente de tomar um "não tem" na cara. Mas nada de MEI YOU naquela noite.



Para nossa surpresa, fomos levados a uma suíte mais luxuosa e espaçosa; com wireless e uma bela vista dando-nos boas-vindas a Bangkok.

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Zeitgeist nº11 [Mar. 1st, 2009|10:17 am]
[Current Location |China Academy of Art]
[Current Mood | blah]
[Current Music |M83 - In Church]

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Me concentrar mais na aula. O que faz de mim um eterno estrangeiro é estar sempre em outro lugar.

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Confira comigo no replay! ( rodurigo: Agosto/2006 - Dezembro/2008 ) [Feb. 26th, 2009|03:23 am]
[Current Location |China Academy of Art]
[Current Music |M83 - Dead cities]



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1. Minha vida sem mim (Aug. 6th, 2006)

Espero que alguém faça comentários constrangedores nos silêncios que, por ventura, surgirem nas conversas.

Que eu preciso ir, como tantos que já foram e voltaram. Ou não voltaram. Que eu me perdi e vou ter de andar um bocado para me encontrar.


2. Zeitgeist nº 3

“Ela já tinha pra lá de 2 anos e meio, quase a idade da Fernandinha. Caiu o portão na cabeça... Não, o que matou não foi o portão, foi infecção hospitalar; o hospital de base mandou ela pra casa e, quando voltou, já não tinha mais jeito. Pra você ver como são as coisas, a mãe já tava grávida de novo... Mesmo assim, é difícil, né? Era uma menina muito esperta já, diz que, no hospital, ela falava assim ‘Mamãe! Você tá triste! Vou cantar pra você!’ e ficava lá cantando. Nos últimos dias, quando ela não conseguia mais falar, ficava só gemendo a música ‘mmm-hmm-hmm’.”


3. 9/11

Trens que melhorariam um pouco a vida de TODOS os brasileiros foram relegados por não melhorar o bastante a conta de alguns. Que preferem enriquecer às nossas custas, valendo-se desse ouro-negro líquido que acinzenta o céu.

Me sinto bem ao escrever sobre isso. Pode ser que ninguém leia, e quem leia não entenda, e quem entenda não concorde... Nosso isolamento, nossa esquizofrenia: ela não é visível como um muro, não pede uma ação gloriosa como a dos alemães. Requer apenas que cobremos pelo cumprimento da constituição que afirma sermos livres para ir e vir. Quero fazer algo importante, ao menos sonhá-lo; é bom passar tanto tempo lendo sobre ferrovia, procurando-a sem sucesso nos jornais e na tv, ouvindo pessoas que não se lembram de porque ela se foi, mas têm alguma esperança de que ela possa voltar e clarear esse apagão, para que novamente possamos ver quem somos.

E não somos isso. Não somos essas estradas alquebradas, empresas falidas, dormentes em decomposição. Se eu pude ir de trem ao Tibet, poderemos ir a Macapá. Rápido, barato, seguro, sustentável, sem atraso, cancelamento ou check-in. Se os alemães puderam derrubar o muro, também podemos conquistar o direito de mover-se com liberdade. De viajar não para um, mas vários destinos de um país que então teremos recursos para conhecer.

E quem acha que isso é irreal, realmente não o conhece.


4. O pequeno sufoco

Não demora que posso ser a rocha, ou a chama mais volúvel.


5. A soma de todos os erros

Caiu um coco. Tão próximo que o próximo passo chutou-o no primeiro quique. 100 metros depois, caíra uma árvore. Uma possível interpretação do aleatório aplicada a tolos argumentos positivos? Se eu fosse um passo mais eficiente ao longo da vida, levava uma cocada no crânio. Se fosse muito mais rápido, acabaria esmagado por uma conífera. (o que seria de uma tremenda crueldade, em plena véspera de natal).


6. Para Tatiana Rodrigues, com muito amor

(adoro esse post, não consigo selecionar um naco, hehe!)


7. What's up, Doc?

Finda a consulta, notei que nada havia perguntado sobre o homem que me engessou quando acabei com a perna direita jogando bola com a minha mãe há quase 20 anos - fato que impediu-me de tornar-me uma grande estrela do futebol, podemos imaginar. Guardei a radiografia na bolsa, comentei qualquer coisa sobre o ótimo grau de insolação da sala e perguntei-lhe as novas;

- E com o senhor, está tudo bem?

- Tudo. Só estou esperando a minha hora.

Ele me olhou de uma maneira cansada, mas muito serena. Senti uma vontade de berrar "e quem vai cuidar dos meus ossos? Você tem que continuar me ajudando a não virar um osso, doutor!?" Ele deve ter lido esses pensamentos quando cerrei os punhos, apertei os dentes e fanzi a testa. Nada de mais sério precisava ser dito.

- A sua hora de almoço?

Ele sorriu. Pediu para que eu deixasse a porta aberta ao sair.


8. All these 88's make me 55

Guess the last great change, for me, it's far from glamorous. I went to a lawyer office and signed some papers that finally release my patron for these last 24 years - Obrigado, mecenas! Hope you'll feel alright with your investment; it was useful. Hope you'll borrow me some of your time someday. I hope. And you probably will.

88 to your bloody money.


9. Unknown Hera

Percebi que tudo teria sido diferente se eu não houvesse escondido o rosto. Se a mirasse sem culpa e com alguma confiança. Mas eu traí seu desafio, vesti uma carapuça que ela, talvez, não tenha tecido para mim. Poderíamos ter nos entendido, mas eu estraguei tudo.


10. Dias Sagrados - 2

Pedi para que entrasse no carro e disse que lhe daria o ingresso. Fiz algumas perguntas e, num dado momento, revelei afinal o nosso passado/pessoa em comum. Fi-lo com naturalidade, tanto quanto o tom debochado permitiu. Ele cambaleou dois passos para trás, como que esperando um golpe. Como ele não veio, ele logo falou que estava feliz por eu estar tão tranqüilo com aquilo. Era passado.

Não precisei de mais prazer venenoso que o de vê-lo ali, puxando as mãos das meninas pela janela do carro, lutando para articular frases coerentes. Chegamos à bilheteria e pedi os ingressos; pela primeira vez, no staff das artes visuais, em vez das musicais. Ele pegou a pulseirinha com uma certa ansiedade, como se não fosse se surpreender caso eu recuasse a mão e explodisse a sola de meu sapato em seu queixo.

...

Ele se foi ao embolsar o presente, de um grego Rodrigo: continue nesse ritmo e em breve pagará por tudo o que fez, a mim e aos outros. Já estivemos sobre o mesmo feitiço e, ao vê-lo afastando-se, percebi que não adiantava tentar qualificar o que sentia como raiva ou simpatia, um fraterno malquerer. Ele tornou-se menor no horizonte, da mesma maneira que aquele sentimento disforme, abrindo espaço para um alívio singelo, daquele fiapo de carne ou pipoca que finalmente sai do entredentes.


11. Dias Sagrados - 3

Há sempre um certo entojo com essas pessoas que chegam tarde demais (perdendo assim o regozijo coletivo da costelinha assada) mas a recepção foi animada e até quem já se havia deitado levantou; eu era uma espécie de Prometeu (tem que cumprir) levando aquele cabo esquecido que privara a humanidade da música alta. O sincronismo é raro, mas não seria tão difícil se eu cuidasse melhor da vida; comi quando apareceu a fome, dancei quando tive vontade, dormi quando o sono chegou; sem deveres ou pendências, todas million miles away. Ataquei a última carne do dia enquanto sacolejava com sons e pessoas familiares. Da maneira que não conseguira na rave; mundo afora experimento um balancê ou outro, mas dançar mesmo, só com os amigos.

...

Deixo um para trás um tanto de carga nessa estação Feriados. Outros vagões, densos e desgatados, vão sobrecarregar o comboio por mais algum tempo e torço para que não causem transtorno aos novos passageiros, ao menos os que não quero passageiros por aqui. Dentre eles, uma pessoa dedicou-se a conhecer os vários carros, chegou à porta do maquinista e, não se sabe ao certo por que, nela bateu.

Oi, tudo bem?


12. 360 degrees


Anos depois da primeira tentativa, eu tomava fôlego, distância e coragem para tentar mais uma vez o Sanbailiu - um dos saltos infernais do kungfu. Muitos treinos, viagens e canções separavam este salto daquele pioneiro mas, tal qual no início, o mundo girou só pela metade e estatelei-me de costas no chão. Como aquela fase do jogo que a gente não consegue passar. Igual, sem tirar nem por. Como aquele livro que nunca leremos até o fim. A mesma velha história. Como amores em que depositei todo o meu ser e cujo fim, a queda - baque seco - não pude evitar.


Daquele novo estabaco - aparentemente idêntico - brotou uma sensação estranha de que eu havia aprendido algo. Um formigar tímido da perna esquerda. Era com ela que eu deveria aterrisar e, já que o pé direito estava inutlizado para tentar outro salto, resolvi continuar naquele. Tentei lembrar aquela sensação e esquecer qualquer torção, ferimento ou fratura associada àquele movimento. Pulei o mais alto que pude. Se virar; virar a mesa; ciclo econômico; roda-viva. Tudo parece estar em nosso desejo de mudar sem se perder. Torna-se outro e permanecer o mesmo; o mesmo alguém, alguém melhor.


2003 foi o ano da grande derrota. Meus sonhos com a universidade, a vida a dois e a miragem de um corpo forte e onipotente foram estraçalhados; eu obviamente não olhara para os lados antes de lançar-me àquela pista. Fui parar numa clínica de fisioterapia e, enquanto folheava uma revista sobre a Seicho No Ie e esquentava a escápula inflamada com uma enorme lâmpada vermelha, mirei surpreso nos olhos do Túlio Maravilha - num péssimo momento da carreira, devo dizer. Foi quando descobri que estava perdido, aniquilado mesmo.

17º
Achei nossa desp, uops, nosso até logo, leve e jovial, como um dia confessamos não sermos. Nunca escondemos que há muita bagagem nesse nós, nisso que começou arrastado e, de repente, ganhou rodas. Nisso que agora procura asas. Talvez tenha sido por não perceber que passaria muito tempo - metade do que já tivemos - sem seu toque ou seu cheiro que meu coração estivesse leve como as suas malas. E estas, fáceis como o meu sorriso.

63º
Foi preciso quebrar meu corpo para tomar consciência dele. Pra perceber que estava em completa desarmonia com tudo. Não era forte, apenas duro. Não era rápido, apenas reativo. Fruto de muita insistência tosca e poucas maneiras suaves. Dessa gentileza violenta com que giro agora. Que me faz tão bem.

81º
Levantei realizando uma série de apalpadelas para ver se não havia nada quebrado. Um pouco do medo (muy)racional de cair. Nada além de alguns cacos do orgulho que sobrou.

88º
Mas era real, podia girar! Não achava que iria aprender aquilo assim, em uma hora. O ponteiro dos minutos voltou ao 12 e eu voltava ao solo depois de cada revolução. A salvo. "Dá uma sensação muito boa, né?" Dá sim PV. É um bela sensação essa de voar, girar e à terra volver.

99º
É aquela sensação na perna esquerda. Está fazendo meu corpo girar. Não sei mais onde está o tatame, ignoro os pontos cardeais. No espaço eles já não fazem tanto sentido. A gravidade não deve ser ignorada, mas é infinitamente menor que a força de um bom íma. Contra Newton e seu mundo de variáveis brochantes, continuo subindo.

108º
Minha mãe, toda encasacada, com um gorro colorido, mais fofa que um Muppet, vem me buscar.

112º
Usar a memória e perdoá-la no que falhar. Estou sendo movido pelo medo de esquecer. Muito mais que pela vontade de lembrar.

116º (norte)
Tentamos virá-lo, mas não foi possível, tão forte estava fincada a raiz matricial. Como o aço e as pessoas fortes, ele dobrou mas não quebrou; tombado, cortado e, estranhamente, não arrancado de vez. Por que o deixaram ali? Pois sabiam que estava vivo? Por falta de tempo ou disposição? Vez ou outra ia visitá-lo, pois as árvores cortadas são uma lápide por si só. Ouvi dizer que poderia estar vivo... Que poderia voltar com suas próprias forças. Quis que sim, nunca aceitei que não e só Deus sabe no que realmente acreditei. Indiferente à minha fé ou à falta dela, ele brotou.

125º
Gosto do que é alheio ao meu controle ou vontade de vencer.

...

Fui eu quem, temendo uma vida vazia, clamei aos céus por toda essa violência.


13. Morena

A primeira coisa que notei foram as foram as formas bem talhadas. A ornamentação da boca emulando madrepérola, emitindo tantas cores quanto olhares e sorrisos podem-fazê-lo. A tez clara contrastando com a madeira – madeixa – escura que lhe caía pelos lados. Tarrachas negras, como que fortes pestanas e sombrancelhas que definem a afinação e a expressão do som. “Não deve ser chinesa”, pensei. Era espanhola, disse o vendedor, tirando-a (muito) cuidadosamente do mostruário. Olhei por trás das cordas e soube que queria aquela guitarra española. Harpejei o primeiro Sol e soube que seria minha.

...

Me sinto tão mais, tão maior contigo... É como este texto, que começou na primeira pessoa do singular e terminou no plural.


14. Momento Sebrae

Fiquei muito feliz naquele dia em que meus pengyoumen de Beijing seguraram a porta do elevador, conversa animada, barriga cheia... Custou dizer que eu ia subir 11 andares de escada, ver a surpresa, senao contrariedade, em seus rostos... A Katri me sorriu, apertou o "Fechar porta" e virou-se para os outros dizendo "That's Rodrigo's way." Subi leve. Lembro-me tambem de andar de bicicleta com o Marcello e ve-lo frear ante uma subida ingreme e mudar para a marcha mais pesada... Parte de mim achou corajoso. Outra parte lamentava o impulso perdido; o desgaste desnecessario das articulacoes.

Tenho sido tao mais musculo que articulacao.


15. Go south - Rios e Rodris correm para o mar

Sei que essa vontade de ver o mar é algo socialmente construído em torno de uma hipérbole da necessidade natural por água. Algo de proto-uterino – a vida na terra! – um renascer em placenta salmoura.

...

Hoje não me dou tão mal com a fala prática, mas gosto de espalhar pitangas em meio às frutas mais comuns.


16. ART LEARNING - nº1

Estou, há muito, contendo as imagens e sons que me aparecem... São algo além da simples mímese ou síntese daquilo com que entrei em contato e processei, tem algo novo, estou ali, mas continuo me negando. Esse lugar sempre me ajudou a arrancar as palavras impronunciáveis. É hora de vomitar, cuspir, transpirar, exalar, soltar – como costumava dizer Wagner Rizzo – excretar, obrar “bota essa merda pra fora, cara!”


17. As uvas deste ano estão mais rápidas

Desde os doze anos não fazia uma ponte, dessas em que deitamos de costas e levantamos o ventre como quadrúpedes invertidos. Chego a ouvir o barulho do que me prende se rompendo, sejá lá o que for. Quando volto, uma sensação estranha preenche as escápulas e quadris; um êxtase misterioso, duradouro.

Sinto que enquanto o corpo estiver aqui, poderei fazer algo semelhante em relação ao espírito. Preciso disso. E quando não houver mais tempo, espaço ou carne, espero já não estar mais tão ligado a eles. Espero ter compreendido algo que me vá permitir deixá-los sem tristeza ou rancor.

Algo me diz que vai dar tempo sim.


18. Estraga prazeres

Me desculpa.

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Zeitgeist nº10 [Feb. 10th, 2009|05:00 pm]
[Current Location |O mundo dos vivos]
[Current Music |Los Hermanos - Os pássaros]

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Efigênia: E esse aqui é o meu filho!

Rodrigo: Olá, tudo tranqüilo?

Lucia: Ôôô, mas que menino lindo! Quantos anos você tem?

Rodrigo: 25.

Lucia: Olha, é a idade do meu Felipe. Se estivesse vivo, né?

Rodrigo: ...

Efigênia: Vamos tomar um chá?

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Confira comigo no replay! ( beijingcalling: Agosto/2006 - Setembro/2007 ) [Feb. 9th, 2009|12:30 am]
[Current Location |Vidas atrás]
[Current Music |The Offspring - Million miles away]


Foto: Janaína Figueira

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1. Perdido na capital do norte

Andando pro metro eu quebrei. Simplesmente nao aguentei, parei na ponte, olhei aquela nevoa e vi a vontade se esvaindo. Ainda bem que estava com o disc man. Deixei a musica me levar e, em breve, o mundo fazia sentido de novo, as pessoas moviam-se conforme o ritmo que eu ouvia. (bem melhor pensar assim).

2. Back in bussines

Acho que as coisas so comecaram a melhorar com a chegada das holandesas no quarto. Eram muito bonitas e atenciosas, me ensinaram o basico para sobreviver na china. O ar condicinado (quase enlouqueci tentando aprender a mexer) estava muito frio e falei que nem precisava aumentar a temperatura, pois com elas tres o quarto ficaria mais morno. "Oh, you`re brazilian! You`re the warmest person here!" Que moral que a gente tem...! Rooney ficava me pedindo pra chegar nas francesas de 12 anos, como se minha nacionalidade garantisse vitela para todos.

Nao me julguem um misantropo de merda, que isso atraira simpatia, vontade de me salvar. Nao quero ser salvo.

3. Saudemos a revolucao

Eu fazia a barba preguicosamente quando a moca da limpeza despejou na enorme pia a agua do balde que havia usado para limpar os banheiros. Aquele cheiro podre me subindo pela cara limpa deu a certeza de que estava melhor; nem lamentei que minhas narinas tenham sido reinauguradas de maneira tao vil.

4. Mó viagem

"I have a train ticket for Shanghai, buddy. I'm afraid I can't do this." Pensei que isso bastava para dissuadí-lo. "Just give it some thought, ok?" me respondeu confiante. O sacana sabia que eu ia topar. E olha que nem eu sabia.

Eu sempre quis fazer tudo da maneira mais difícil pensando que assim ia ficar mais forte... Onde eu vim parar? Aqui simplesmente não posso ficar optando pelo difícil; o fácil já é meramente possível, o médio beira o hercúleo. Será essa a lição? "Sarna chinesa amputa membros, não a procure para se coçar".

5. Encouraçado Fu wu yuan (The great bonfire of dreams)

Ninguém sabia ou se lembrava de como dançar Macarena! E, Deus sabe, deve ser a única coreografia de música que sei fazer inteira, apesar de ter aprendido aos 14, numa noite pra lá de traumática (não entremos em detalhes). Eu arriscava os primeiros movimentos quando ouvi a voz do Sun ribombando no meio da bagunça; “Huodelì knows! Huodelì knows!!!” E quando virei o pescoço a festa inteira tava seguindo os movimentos de meus braços e traseiro. Sou, muito provavelmente, o pior dançarino do Brasil ,e lá estava, ensinando gente de todo o mundo a dançar Macarena.

E me vejo fazendo tanta coisa estranha, no banho, nó café, na aula, na hora de passar roupa. Passar roupa? Isso não sou eu! Ou será que agora é? E é. E que há com o passado? Eu que amo o passado, como é que posso simplesmente ignorá-lo e virar outro? Não sei, me dá fome só de pensar. Tudo aqui me dá fome. Quero vocabulário, quero conhecimento; quero três tipos de baozi para o jantar!

6. Um freezer chamado lá fora

Vale tudo pela regra mnemônica

Todos os dias acordamos sob o signo de um perigo tão maior que a morte; a constante amaeça do oblívio. Esquecer de nossos nomes queridos, filmes favoritos, "olvidar nuestro amor". Não conseguir ler e escrever um ideograma, gaguejar frases malconstruídas e por a culpa toda "nessa gente", "nesse povo que não quer me entender". Não é culpa deles. É dessa dúvida. Que o esquecimento nasce da dúvida do desejo de lembrar. Eu quero lembrar de quem sou, lembrar do que nunca soube.

7. Don't you fucking "mei you" me anymore!

Se há um lugar na mente e no coração, há de haver lugar no mundo dito "real".

8. No need to boast

Parei no meu restaurante favorito, uma bodega simples e quentinha que faz macarrão barato, saborosíssimo. No momento, eu era o único cliente e o pessoal do restaurante estava jantando, três rapazes e a mãezona. Me chamaram pra comer com eles. Não entendi. Entendi, mas não acreditei. "Guo lai, guo lai!" repetiram; vem, vem! Coloquei meu macarrão ao lado daquele quatro pratos de arroz branco, a mesa pequena, as tigelas de cogumelos, carnes e vegetais no centro. "Experimenta, experimenta! Não seja polido! Não tenha vergonha!" Apesar do pouco que sei, consegui falar, consegui perguntar, pude comer em família. Os olhos encheram de água e dei a entender que era o tempero. Eu precisava tanto disso.

9. Sobre a distância

Há alguns anos atrás, ainda no ensino médio, ter alguém, "estar com alguém" era como que um comprovante de socialidade, um galardão a ser exibido; e reprimido por bedéis tão temerosos do assim chamado namoro ostensivo. Ostensivo. Aberto. Inconseqüente. Agora olhe para nós. Ninguém quer saber de deixar vazar algo do status quo, como se todos quisessem permanecer uma incógnita e, não há como negar, pegar geral. "Pegar sem apegar" seria um bom slogan... Que dizer? Em 8 meses muitos voltarão, outros tantos permanecerão e por enquanto, parece impensável largar tudo por outra pessoa, toda a segurança ou o anzol que ainda nos prende em casa.

Fiquei me culpando por não ter estudado tanto como queria, por ter saído tanto, bebido tanto, comido como um cachorro (atavicamente) até passar mal. A Elizabeth me deu um abraço e um sorriso do tamanho do mundo, segurou as minhas bochechas e falou devagarinho: "Rodrigo, ninguém estudou como devia. Chegamos aqui sozinhos, deprimidos... É preciso fugir dessa realidade por um tempo, pra se acostumar. Nós tínhamos que sair, e rir, e esquecer um pouco, ou seria impossível, entende?"

10. O Talibã Rockabilly - 第二部分/Parte 2 - A Talibusca

11 horas. 0 hora. UMADAMANHÃ e eu ainda estava enviando e-mails com fotos, nacionalidade, línguas fluentes e nº do passaporte dos nossos amigos. O Valentin (como eu também, não posso negar) tinha acabado de cair de pára-quedas nessa história e eu tinha dúvidas seríssimas sobre sua possibilidade de seleção naquela altura do campeonato, digo, da produção do filme. Saiu pela porta como se tivesse terminado uma fezinha na loteca do bairro. Desabafei com o Marcelo, que andava de um lado pro outro, louco de entusiasmo.

-Mas ele é branco, tem olho azul e, e... Ele é Moldavo, porra!
-Se você com essa cara de soldado romano que flagelou Jesus na cruz pode (respira) O MOLDAVO TAMBÉM PODE, CARALHO!
-Bingo. Bom, ele foi o último.
-Cara, não dá pra dormir com essa excitação toda! Amanhã às 8 a gente vai trabalhar com cinema, meu velho! (Merda de Estados Unidos mas, ainda sim, cinema! Na China!)
-Fale por si mesmo, eu vou chapar gostoso.

A gente tinha feito o teste, tava ali em standby, só esperando a hora chegar... Então chega uma mensagem da Eriko com aquela fatídica pergunta: "Hey, guys! Can you find me more taliban soldiers? We are pretty short of them." Os três dias seguintes foram um entra-e-sai no nosso quarto (não daquele tipo, fascínora!): estúdio fotográfico, agência de talentos, escritório de tradução... O Marcelo não fala muito inglês, então eu cuidava do contato com a produção. Por mim, a gente dava o e-mail da produção e pronto, que se virassem. "Em cinema não é assim, Digão! Eles precisam de gente e a gente vai jogar na mão deles. Se deixar pra essa galera resolver por si, nada acontece! Agora a gente faz parte da produção, meu caro! Não ganha dinheiro necessariamente, mas marca pontos, sacou?" Algum tempo depois seríamos convidados pra uma festa com o pessoal do filme e aí eu entenderia melhor... Devo admitir que nessa língua, "fluência social", ele é dez vezes melhor que eu.

Chegou a hora afinal, ouvia passos, barulhos de zíper, dentes sendo escovados e tentava lembrar do que tinha me atropelado; lembrei que estava na China, que estava com barba e que ia fazer alguma coisa bem legal naquele dia. Levantei, tirei o carregador da tomada e enfiei a câmera no casaco. Escova no casaco. Carteira, garrafa d'água, cueca sobressalente, celular e carregador, fones de ouvido, luvas; meu casaco, minha mochila! Tava desconfiado do que poderia acontecer se levasse bagagem (nem tanto pelos ladrões, mas pela minha memória), aconselharam-nos a levar apenas o necessário, nada de valor. Há, pra cima de mim?

45 do segundo tempo e o Marcelo foi mexer em algo na tomada. Algo explodiu e, de repente, távamos no escuro. E não tinha mais energia. Queríamos ainda olhar e-mails, ver quem tinha sido aceito, avisar a família que, muito provavelmente, só três dias depois daríamos sinal de vida. "Mei banfa" (Não tem jeito) Saímos pro lobby, pra encontrar nossos amigos. Metade estava. Liguei, liguei, liguei. Alguns ainda estava acordando. Meia hora depois, o Marcelo simplesmente saiu andando, puto da vida, que até quem já tinha chegado dava um jeito de sumir, como se aquilo fosse uma colônia de férias. "Zou ba, ZOU BA" (Vamos, VAMOS!) Berrei e saí também.

O grande lance do cinema não é técnica ou bons roteiros. Que isso depende de uma ou mais pessoas, absurdamente especializadas. O grande lance é a "gestão de pessoas em um ambiente muito próximo do anárquico para a consecução da magia". Quase 15 talibans e mais os que ficaram de ir direto pro Instituto de Cinema de Beijing, de onde o ônibus sairia. Expliquei para todos os taxistas como se chegava, tentava não deixar ninguém pra trás. As pessoas ficam extremamente relapsas quando percebem que tem alguém cuidando das coisas pra elas... Uma vez em Baoding, a coisa tomaria proporções colossais e eu agradeci por ter alguém cuidando daquilo e eu pudesse voltar ao meu posto de observador da humanidade ensandecida.


11. Dance or die - Congelando em Harbin

Os dois graus negativos de Beijing me pareceram o verão, senti que podia evitar a gripe que estava me rondando... Mas só o choque que levei ao entrar no 1103 me deixou doente de vez: tinham colocado um coreano no meu quarto e o cara bagunçou tudo, fodeu com o meu projeto, minha saúde, meu feng shui!!!

12. ... Isso nunca me aconteceu antes

…ainda em Guangzhou, depois de mais um jantar na faixa com Paola e Victor, pais da pequena Carolina ("Rrrodrigo, quiero jugar contigo!" Jugar=Brincar) eu estava largado no sofá do casal tomando Bayley's, conversando, tocando violão. Minha seleção começou a ficar mais triste e Carolina parou de me acompanhar no teclado; pediu pro pai ligar a tv. Comecei a tocar Starlight e soltei um berro. Era a cara magra e maníaca do Mathew Bellamy na tela, não devia ser um show, não podia ser uma show, era pouco provável que deveras fosse um sh... MUSE LIVE IN HONG KONG, MARCH 3RD. O engraçado é que no dia seguinte iríamos a Hong Kong. O surpreendente é que o Patrick, primo da Eugênia que nos recebeu, também adorava Muse e já tinha comprado os ingressos dele. O incrível é que tinha um posto de vendas do ladinho de onde íamos no hospedar. O SENSACIONAL era que ainda havia ingressos. "SIM HÁ VAGAS".

Agradeço a Deus, ao Patrick e a Doraemon, O SUPERGATO. A este último por ser ridiculamente azul e cabeçudo.

13. PARABENS AO THIAGONCIO

Tudo de bom pra voce cara, pena que nao pode estar aqui comigo, tu eh grande mais nao eh dois =j

14. Kuai yidianr (vá mais rápido)

Naquele momento estavam olhando pra mim como eu os olhava antes; nunca tinham se preocupado em aprender a ficar parados sobre as mãos. (Na verdade, me olhavam como uma mulher que descobre que o eunuco não é eunuco)

15. A dama da rua Hong Kong

Mais umas voltas pela cidade, comprei um tripé e meu primeiro par de tênis bom de verdade... Se quero pernas fortes, melhor começar a trata-las melhor.

16. Acabaram-se as guimbas

Possuía algo que não sabia bem como definir e que não estava pronto para abandonar. Talvez sua humanidade.

17. Encontrando-se em Macau, perdendo-se em Aomen

As ruínas da Igreja de São Paulo foram a primeira paróquia em que me senti confortável pois, enquanto ruínas, refletem bem o que restou do catolicismo no meu coração.

18. O conscripto Ri Kim Sun

O Kim Sun tinha voltado pra casa. Sem protesto, sem rancor, pude até vê-lo arrumando as coisas e partindo leve, sorrateiro. O mexicano da minha turma já deu um pulo na Coréia do Norte: disse que, à noite, você olha pela janela e não vê uma luz sequer. Que um minuto antes do almoço as ruas estão desertas, prontas para a invasão deflagrada pelo sinal da bóia. Isso é disciplina, a opressiva e libertadora disciplina. O Kim Sun não vai voltar praquele café que eu prometi. O Kim Sun não vai mais poder levantar devagarinho. Talvez perca o costume de falar tão suave.

O Kim Sun foi convocado para servir 10 anos ao Exército da Coréia do Norte.

19. Passeio interior

Ficamos na sala de tv, com Fresia e sua irmã menor, que não conseguia mesmo me ensinar a jogar pôquer. Ela tinha esse pressuposto estranho de que eu JÁ SABIA JOGAR, o que dificultou um bocado o processo. Vimos fotos, assistimos um filme antigo do Jackie Chan e me retirei aos aposentos reais: aquela cama tradicional chinesa enorme, com suas colunas de madeira entalhada, teto e tudo mais. Não fechei as cortinas; tive medo de acordar na China imperial, que nem aquele negão da sessão da tarde que deita numa cama européia tradicional e acaba aprontando mil e uma peripércias na Idade Média.

20. A saga do pato - parte 1 - Como desaparecer completamente

E aquele peso no coração, de nunca estar fazendo o bastante, de não estar alcançando meus objetivos rápido o bastante, de ficar olhando o relógio cada vez que saia do meu quarto, meu escritório, meu bunker para dividir a presença com outrem, de ajudar no necessário e depois tirar o corpo fora... Tudo isso começou a desaparecer. Nada disso vale mais que um olhar de satisfação da minha mãe.

21. A saga do Pato 2 - Terapia de (cultural) shock

Huodeli: Bom, pessoal, claro que a gente pode fazer um monte de coisas. Cantamos? Eu e o Eugenio podemos treinar uma musiquinha e...

Professor Zhu Ning: Mas nao seria mais interessante fazer algo que todos pudessem participar?

Claro que seria. Tambem seria uma boa encontrar Atlantida, traze-la a tona e da-la aos palestinos para que finalmente tenham um cantinho so deles.

22. Amai até o pombo que vos caga

Fomos até uma cidade tão esquecida que nem eu, que estive lá, lembro o nome. E olha que sou bom nisso. Queríamos dar uma conferida num Observatório construído no século XI; lá haviam calculado o ano com 365 dias e alguns poucos segundos de discrepância dos valores atuais. Foi bem refrescante visto que: 1. Foi fácil encontrar; 2. Só tinha a gente lá; 3. Não era mais uma porra de um templo.

23. Você está aqui

Ei, você. Sim, você. Até onde vai precisar fugir até me notar? Um dia vou ser muito maior que a sua indiferença. Por você eu já pensei em desistir de ser humano para tornar-me lenda. Um ser épico que mereceria seu temor e admiração. Não, não está certo. Devo ser uma pessoa e oxalá isso seja o bastante para despertar o seu respeito.

É engraçado pensar sobre a própria existência como culminância de uma série de ações e genes de outras pessoas.

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Confira comigo no replay! ( rodurigo: Julho/2005 - Agosto/2006 ) [Feb. 8th, 2009|12:49 am]
[Current Location |O passado]
[Current Mood | enthralled]

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Pouca coisa soa mais egocêntrica do que posts com o que julgo serem os meus melhores momentos em outros posts... Mas tive essa impressão de que se relesse tudo o que escrevi e selecionasse o que mais gostei, talvez entendesse um pouco mais o que tem acontecido nesses últimos anos em que a velocidade decuplicou (de 1 para 10km/h). E se essas crônicas estão cheias de lapsos, projetos e idéias incompletas; ao menos me dão este prazer pleno de que fui relativamente constante em algo nessa vida - quem diria, escrever.

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1. Os halos noturnos

O céu parcialmente nublado alternava uma noite azul e ofuscantes halos de claridade lunar. Deixava tudo muito bonito e mostrava que um bom clima supera muitos lapsos estruturais, como a falta de álcool e de garotas com mais de 15 anos.


2. Subject

Os fatos, para mim, não se explicam por si sós (eles têm de vir acompanhados por comentários medíocres dentro de parênteses)...


3. O caminho

Sem meias-palavras, sem desculpas, sem explicação... Sem beijos de consolação.


4. O outro lado da folha

Não se enganem, eu não estou aqui. Os pensamentos estão em qualquer parte do mundo, menos aqui. Tenho essa impressão de que quem tem vontade e, mesmo assim, não faz uma longa viagem, nunca está em casa. Nunca volta, visto que nunca foi. Quero sentir saudade. Que é muito triste sentir saudade, porém muito desumano não sentir.


5. Primeiro dia de trabalho. (PARTE 2)

A aula acabou mais cedo e resolvi tentar a sorte na reitoria: talvez a fada do carimbo houvesse passado ali... E não é que passou? Saí de lá com um sorrisinho bobo, aprumando os meus óculos e estalando ritmadamente os sapatos.


6. Capítulo negro

Enquanto havia lógica, ordem e lei, podiam te enclausurar, te punir, te humilhar. Agora você é a lei. Você é a justiça. Você é a bela lâmina quente que atravessa a humanidade de isopor.


7. 3rd Impact

Ficou o gosto ausente do espaço negativo, e a sensação de que ela sempre me escorregaria, assim como seus cabelos pelas minhas mãos, pelos nós com que tentei atar-nos.


8. PÁRA TUDO

A despeito de toda a ambição de compreender as pessoas, o mundo e o universo, o que preciso agora é aprender a sentar de pernas cruzadas. A traçar uma linha honesta. A amar outra pessoa.


9. Vapor em alta pressão

Não, não devemos nos sentir assim. Eu sei que não; como um intervalo entre duas pessoas de atitudes mais radicais que as nossas.


10. Comichão matutino

Será que é importante escrever sobre isso? "Nacos de pão", putamerda. Claro que é importante. Talvez pra mais ninguém além de mim mas, bem, realizo trabalhos, converso com pessoas e, principalmente, estou na direção de um carro (e qualquer carro é um carro bomba), então é de pleno interesse da sociedade que eu me sinta equilibrado aliviando de alguma forma as minhas frivolidades.


11. Amazing human pinball

Sem meias e sem cueca. O que eu faço com toda essa liberdade?

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Estraga prazeres [Jan. 31st, 2009|08:09 pm]
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Como nadador de fundo - 400 metros livres - acostumei-me a sempre dar o gás no final. Na fase áurea, os caras podiam estar 25 metros na frente; eu dava um sprint e, geralmente, acabava com a aquela alegria via braçadas violentas. Era quando fazia os melhores tempos pois, se liderava de ponta a ponta, nem sempre quem estava atrás se animava a pirar no finzinho.

Nas artes gráficas aprofundei uma mania de procurar defeitos e corrigir insistentemente as coisas... Mas não, acho que hoje não vou achar nenhuma metáfora legal ou explicação mirabolante por ser assim. Eu procuro defeitos em coisas belas e explodo de repente quando as coisas parecem assentadas e os tranqüilos e desavisados poderiam dar-me por satisfeito.

De uma maneira geral, acho que as pessoas se desesperam quando as coisas estão ruins, difíceis, nuvens negras a frente. Quando as coisas estão desesperadoras, de fato. De alguma maneira entendo que nessa hora é melhor ficar calmo, acreditar que dá pra buscar, que vale à penar tentar com tudo ou saborear um fracasso fragoroso, porém honesto. Que dizer dos momentos bons?

(café da manhã num vôo internacional, jantar à meia-luz depois do teatro...)

Vem uma sensação estranha. Misturada à alegria nasce um apego a detalhes - "tão pequenos de nós dois" - como se faltasse um pouquinho para, senão a perfeição, algo como "a melhor configuração possível". E daí, sem sentir, sem planejar, eu piro e desato a falar coisas tremenda, profunda, extremamente desagradáveis e frias.

Eu te pedi pra ser forte - nem notei que era uma maneira de subentender fraqueza. Você já é muito forte por suportar isso... Até agora não houve quem agüentasse. Não sei se consigo mudar mas, se admitir é um primeiro passo, ele está dado; não quero mais me debater e argumentar e escrutinizar até conseguir qualquer sorte de plenitude ou vitória.

Me desculpa.

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Zeitgeist nº9 [Jan. 20th, 2009|05:10 am]
[Current Location |Um treino de capoeira]
[Current Music |Cérebro eletrônico - Pareço moderno]

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Agora sou um daqueles caras velhos, gordos e desajeitados que davam as caras nos treinos de kungfu e ginástica olímpica.

Não é tão mal quanto parecia.

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Zeitgeist nº8 [Jan. 20th, 2009|05:07 am]
[Current Location |Baxiliya]
[Current Music |Druques - Não assim]

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Acredito pouco em coincidências, mas muito na praticidade que delas advêm.

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Zeitgeist nº7 [Dec. 4th, 2008|06:34 pm]
[Current Mood | relaxed]
[Current Music |The Fall - The man whose head expanded]

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Só queria dizer que passei 25 anos sem saber como é bom parar tudo e dormitar na banheira; ouvindo o Alternative Eighties da Accuradio no último volume; comendo biscoitos de chocolate; deixando a água quente lavar todo estresse ou culpa por não ser tão bom quanto queria ser.

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As uvas deste ano estão mais rápidas [Nov. 29th, 2008|04:30 am]
[Current Mood | chipper]
[Current Music |The Killers - Good night, travel well]

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Sim, é isso mesmo. É uma frase que encontrei num antigo caderno e já não me lembro do que quer dizer. O significado perdeu-se. Perderam-se as uvas que comprei enquanto ainda era verão em Hangzhou. Sim, as uvas deste ano estão mais rápidas.

E eu visto um sorriso satifeito por estar me movendo, mesmo que com dificuldade, sem tamanha velocidade. Contudo, não foi nada senão o temor da imobilidade que me içou de minha cadeira azul; um desespero torpe e sufocante que me ferroou o coração: do jeito que está, não vai dar tempo amigão.

Nunca fiz aquele curso de leitura dinâmica que meu pai sugeriu. Provavelmente para evitar uma espera inercial e catatônica de algumas horas após ter lido a última página; como esperaram por suas almas certos aborígenes – não necessariamente australianos – após uma primeira volta de carro, bem ilustrou Morena, após ouvir-me tais preocupações.

Nenhum grande salto ou bigbang me reboca da imobilidade com que perigosamente flertei; movo-me como uma velha locomotiva, desenterrando trilhos e estraçalhando a própria ferrugem no seu lento avançar. Me apego muito a detalhes. Não vou mentir e dizer que não gosto de ser detalhista; as pessoas que mais gosto e o que mais gosto nas pessoas remetem justamente a essas coisinhas; tudo o que é muito macro acaba nos despertando muito respeito, quando não temor.

Só gostaria de não me apegar tanto a detalhes, pra fazer mais das coisas que gosto e que vieram a ser muitas. Como nesse vídeo de um discurso do Steve Jobs que o velho Koshev mandou ( ), as vezes sinto que preciso de uma educação rigorosa em algo, mas não consigo me decidir entre as artes plásticas, a música ou meu desejo de não ser alienado – comunicação – ou mover-me livremente pelo espaço – transporte. Não me sentiria feliz relegando qualquer um deles. O timão tem sido estudar chinês, através do inglês e finalmente entendendo o que significa falar português; a frente lingüística está bombando, nada de universidade, apenas um livro em chinês e alguns estudantes chinos da última flor do Lácio.

Sinto-me desintupindo uma artéria; mesmo que muitas me estejam pressionando para, elas também, serem abertas – 把动脉打开. Mantenho-me desenhando um pouco todos os dias, sem muita confiança de que saiba desenhar, cada traço um pouco melhor e mais preciso que o último e, mesmo assim, relutante em acreditar que talvez não precise de um curso superior para fazê-lo. Nunca precisei. Se, por um lado, desenho puco, claramente menos do que o suficiente; por outro, é o mais rápido que já consegui na vida, no need to self compare with any kind of prodigy. E há muitos deles aqui, ou assim me parece, mesmo que, na realidade, devem estar passando pelo mesmo tipo de questionamento que eu: um livro, um quadro, uma visita ao bar ao lado que não me deixa dormir? Sigo fazendo esses pontinhos, como diz o vídeo – que é sim, motivacional mas, dá licença, tô precisando – e confiando que um dia toda essa miríade de experiências e habilidades imperfeitas ligar-se-á e me fará chegar aonde quero, não esse querer de agora, tão difuso, tão confuso; mas o que preciso para chegar a mim mesmo e, sendo capaz de me conceder essa felicidade suprema, próximo dos que me querem e são por mim queridos.





Coisas simples e diversas me fazem avançar nesse caminho. Desde os doze anos não fazia uma ponte, dessas em que deitamos de costas e levantamos o ventre como quadrúpedes invertidos. Chego a ouvir o barulho do que me prende se rompendo, sejá lá o que for. Quando volto, uma sensação estranha preenche as escápulas e quadris; um êxtase misterioso, duradouro.

Sinto que enquanto o corpo estiver aqui, poderei fazer algo semelhante em relação ao espírito. Preciso disso. E quando não houver mais tempo, espaço ou carne, espero já não estar mais tão ligado a eles. Espero ter compreendido algo que me vá permitir deixá-los sem tristeza ou rancor.

Algo me diz que vai dar tempo sim.

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Waiguoren Sojourner [Oct. 30th, 2008|04:12 pm]
[Current Location |Hostel da saudade]
[Current Mood | busy]
[Current Music |Akira Kurosawa's Dreams Soundtrack]

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(será que me estou fazendo de pato?)

Vou ficar sem biscoitos sempre que me atrasar. Minhas regras – estúpidas e necessárias regras – estão sempre focadas em reforço positivo: “quando – não é nem ‘se’ – eu conseguir tal coisa vou começar a remar”, “se me sair bem no teste vou aprender violoncelo”, “abertura total vale o último Dove, estrelinha sem mãos o Charge sagrado”. Devia ter arranjado algo como “ganhar na loteria se fizer o Sanbailiu”, estaria bem de vida agora. Mas se as finanças de estudante não garantem esse “bem”, não posso negar que, por outro lado a vida está muito boa.

Transporte – mesmo depois de roubarem a minha bike, bu – tempo, estrutura, um bilhão de professores pro que estudo. Não é tudo – nem todos, especialmente – o que preciso, porém, é muito mais do que vim atrás.

É tanto que preciso impor sérias delimitações à imaginação e o desejo, sob pena de me perder, estático, prolixo, embasbacado com o que poderia ser. Não sei o que aconteceu com aquele moleque que nadava, fazia ginástica olímpica, desenhava todos os dias, chegava no horário, tirava notas excelentes fazendo o básico e era chamado pra capitanear todo e qualquer projeto em artes visuais.

Voltei a sentir um pouquinho disso hoje. Levantei às 6:30, corri, cabritei de leve e me refestelei nos três carpetes de kungfu que jaziam inertes no ginásio, sempre fechado – e inacessível, segundo os professores – até que resolvi desertar o calor das cobertas e conheci o cara que mora (!) lá, numa arrastada corrida matinal. Fiz o dever de casa (atrasado!), aula de prática oral (atrasado!)... A Jin laoshi está me tratando mal por eu ser relapso enquanto poderia estar dando uma detonada contagiante nos contidos europeus. Ou isso ou me viu escrevendo sacanagem – esqueço que aqui as pessoas efetivamente o entenderão. Fiquei tão chateado que criei a regra do biscoito.

E como estava MUITO afim de comer biscoitos ainda hoje ou nessa vida, pedalei insanamente até o preparatório para o teste de proeficiência do mês que vem. Abençoado seja o serviço de bicicletas públicas de Hangzhou, mas pra ficar que nem Paris, vão ter que ativar a estação perto da escola, que tive de correr por mais dez minutos. Da aula, peguei um táxi pro curso “eletivo” de filmes chineses. Sim, eu odeio pegar táxi. Mas odeio ainda mais ficar sem biscoito.

Belo filme, “向日葵 – Girassol”, sobre um garoto que é obrigado a desenhar pelo pai. A diferença é que o peralta Xiang Yang (voltado para o sol) não sabe ao certo se gosta de desenhar, fica tentando dilacerar a mão com fogos de artifício ou a máquina de costura, procurando se libertar da pressão do velho. Eu sei que gosto, mas fico adiando por pura miséria, talvez esperando por um pai que nunca vem me puxar a orelha. De modo que cabe a mim, e mais ninguém, lidar com postergeist, o fantasma da procrastinação.

(até legal prum trocadilho meu, não? Esse é bem velhinho, de quando Poltergeist ainda era “Tela Quente”... Céus, e ainda digo que velho é o trocadalho =)

Depois da aula, pratiquei um pouco a música que tocarei no festival de cultura mês que vem e, voilá, perdi o ônibus que levava pro festival de animação. Não foi bem atraso meu, mudaram o ônibus de 17:20 pra 17:00. Como estava realmente afim de ver desenho alemão e não haveria biscoitos se eu chegasse depois das 18:30, fui atrás do busão comum mesmo. Mal cruzei a rua e ele foi passando, eu a uns 500 metros da parada. Foi fantástico. Comecei a correr tímido, escorregando na garoa que caía desde que saí do filme, fui ganhando velocidade, cheguei a diminuir... Vi o sinal amarelando e consegui passar o coletivo quando abriu. Emparelhamos. A galera no ônibus começou a virar o pescoço, tinha até um cara torcendo. O ônibus venceu por meio... ônibus de diferença, subi ainda brandindo o espetinho de carneiro – 羊肉串!!!- que compre na cantina antes de sair. Suando em lagos – que aqui são mais populares que as bicas – mas com indisfarçavel orgulho.

O mesmo com que cheguei na hora, consegui um bom lugar, me empanturrei de baozi, café gelado e – oba – biscoito; curti as animações e ainda tirei uma de intéprete quando todo mundo ficou perguntando “Mafia shi shenme yisi? – O que significa máfia?” e explanei curto e grosso: é a “sociedade negra”, garotada. Ah, 黑社会.

Cheguei a tempo de – computador sem net, estudos bombando – ler uma história e mais duas lições da Everlasting Fuxi (algo como “revisão eterna”), algo que resolvi adotar depois de ler o ditado 温故而知新, ou seja, é revisando o velho que se aprende o novo.

O que não consegui foi terminar este texto antes da meia-noite, quando estipulei que já estaria a dormir... Atrasado.

Bad, bad Rodri. No cookie for you =j

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Roupa rosa, leque escarlate [Oct. 27th, 2008|01:44 am]
[Current Location |China Academy of Art Sports Meeting]
[Current Mood | impressed]
[Current Music |Chinese kungfu]

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Apresentação dos alunos estrangeiros na última 5ª feira, a pedidos - muito intensos e regulares - do escritório do Colégio Internacional Academia de Arte da China. Sou aquela pessoa de rosa-choque da esquerda, lá na frente!




Nem vou falar muito, pensem o que quiserem, hohoho!


Ps: foi divetido paca!

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