| Zeitgeist nº21 |
[Aug. 4th, 2010|01:03 am] |
| [ | Tags | | | zeitgeist | ] |
| [ | Current Location |
| | Room on fire | ] |
| [ | Current Mood |
| | blah | ] |
| [ | Current Music |
| | Yeah yeah yeahs - Heads will roll | ] |
.
É interessante como tem gente que não responde e-mail, mas não resiste a uma isca de blog ou rede social.
. |
|
|
| Se tudo passa |
[Aug. 2nd, 2010|08:47 pm] |

.
Ontem passei correndo por uma garota que conhecia.
Era uma tarde gostosa de domingo, gelada na sombra, cálida ao sol; a secura explicitando-se num céu sem nuvens, tudo como manda o figurino climático brasiliense. Já havia esticado-me, papeado com alguns conhecidos de longa data, jogado capoeira e feito umas macaquices desviando de infantes ensandecidos e entusiastas da dança contemporânea. Não pensei que o Olho's D'àgua, que vi nascer daquele terreno baldio, um dia perderia a aura bucólica para agregar cenários humanos de Parque da Cidade. Agora há torvelinhos, sinalização variada, infra-estrutura e aparelhos de ginástica da era espacial, iguais aos que os chineses utilizam do lado de lá.
Em certo ponto, tornei-me o professor de estrelinhas da juventude hiperativa e quedei-me muito satisfeito com a criação do combo didático "Duas! Uma! SEM as mãos!" Estava muito mais paciente que naquelas feitas em que tentava ensinar àquela garota. Havia uma menininha com a técnica perfeita, mas os braços eram tão pequenos e molinhos que limitava-se a rolar feito uma mandala de menininha, fazendo um brigadeiro de grama seca. Gargalhando sem suspeitar que um dia poderá esquecer-se de quanta felicidade podia encontrar na terra.
Lembrei-me de que, muito provavelmente, estava atrasado para o encontro daquela noite, no que saí em disparada metralhando tchaus. Foi quando a vi saindo do parque pouco antes de mim. Com aqueles conhecidos vestir e andar, as particularidades anatômicas que eu coleto e guardo muito melhor que datas ou títulos de autoridades. A doce onda de felicidade chegou até a garganta, a mandíbula já entreabria, a língua arqueava-se para o "L" de olá. Tossi. Senti algo que apenas minutos depois, debaixo do chuveiro, consegui pensar.
Nesses mais de dois anos mantive contato esparso e unilateral aguardando resposta, notícias, desculpas ou ao menos uma declaração de que a minha falta de originalidade ou memória não é um pecado assim tão grave. Muito embora saiba que ambas estão muito acima da média e provavelmente tudo aquilo não passou de faniquito. É duro perder uma amizade. Que certo dia disse não haver nada que pudesse mudar aquele bem-querer por mim. Até que não a quis como queria que eu a quisesse.
A faixa de pedestres já se havia ido há muito e suas costas ficavam maiores no meu campo de visão. Vou estar ali, para se ela chamar. Apesar de saber que não vai. É que este ser chato, insistente e repetitivo um dia quase cegou de cansaço por não saber abrir mão. Passo. Não acredito em evitar, mas aprendi a passar.
. |
|
|
| Zeitgeist n20 |
[Jun. 24th, 2010|11:18 am] |
.
Todos os dias arruinamos coisas boas por falta de espaçamento.
. |
|
|
| Nadando no escuro ( É de maré ) |
[Jun. 6th, 2010|08:25 pm] |
.

Primeiramente, é muito estranho ter pança. Parece que o equilíbrio mudou e hoje mesmo eu estava tentando esconder, me deu uma baita vergonha. Não da barriga: de estar tentando escondê-la. Relaxei o abdômen e observei sua nova projeção escondendo mais um pouquinho do mundo abaixo. Já são 4 meses sem exercício físico (nem álcool, nem laticínios) e com mais tempo para comer e descansar; em algum lugar havia de concentrar-se o excedente. Tô pançudo e não é mal.
Fora caminhar ou pedalar, o único esporte-esforço em que posso me engajar parece ser Taijiquan, de preferência com os velhinhos-ninja da beira do lago (e que eles nunca saibam que os associei de alguma forma a um rótulo nipônico, ainda há certo entojo, principalmente para as gerações em que o massacre de Nanjing não é só um capítulo no livro de História).
O resto tem sido dever de casa e a música em seus intervalos. Se neste último front andei mergulhando gostoso, sendo até carimbado como um dos “Dez mais supimpas” da Academia no concurso homônimo; no primeiro tenho amargado insuficiência e mediocridade, salvo uma ou outra iniciativa bem-sucedida e a capa do Jornal com a minha foto no quadro de honra, como que dizendo: “não o mande de volta pro Brasil ainda! Pode ter algo escondido aí!”
Ondas de estupidez e pedantismo me vêm à mente em qualquer intercurso humano, mesmo que só em projeções. Aliás, pouca coisa pior que o tirocínio de ver a bicicleta à minha frente fazendo alguma besteira; gritos, arranhões, discussão: a velha caça às bruxas que segue um acidente. Acordo com o sinal verde ou alguma buzina mais insistente. O mundo continua, indiferente a minha estática e percebo ter gasto alguns minutos e quase toda a paciência do dia num exercício de imaginação pouco profícuo; extremamente desagradàvel.
Procurei formas de expressar “knowledge crisis” em chinês e confessei a um amigo que pareço estar num nível pré-socrático da cognição; não consigo nem formular as perguntas... “that may be a good thing” disse o bom e velho Jason. Talvez eu nunca tenha chegado àquele bastião intellectual que acreditava habitar – e que esse amálgama crasso de português e inglês aí atrás ateste minha confusão. Pode ser que uma série de perguntas e respostas que não eram realmente minhas tenham abraçado-me a realidade; era eu o Jasão para o pessoal do Le Parkour, documentando as peripércias, girando 360 graus em dois eixos diferentes e andando com as mãos sobre um muro, fazendo pose para fotos que ainda adornam perfis na internet (obrigado ao Helano Stuckert pelo legado e parabéns pela exposição, meu velho!). Eu era aluno top da(s) sala(s) e voltei a Brasília bem quando todos os que realmente manejavam chinês-português parecem ter sumido da cidade; deixando suculentos trabalhos à minha mercê. Citius, altius, fortius; naquela época eu sentia que sabia ou estava em vias de saber um bocado.
O sentimento foi-se junto com a capacidade de focar com o olho direito. Violei um princípio de auto-preservação, de pura e simples sobrevivência, dinamitando as bases do edifício do saber. E será que essa metáfora da construção era mesmo boa para mim ou, vide Umberto Eco (co-co-co-co-co...), tratava-se apenas de uma estrutura ausente? Como ter algum conhecimento sólido na era da nuvem informacional? Tenho refestelado-me no “Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil”, de Leandro Narloch, maridão da saudosa Gi Fanta Uva ( Sucesso, paz e delícias mil para vocês, casal =), é o tal prédio ruindo e dando lugar a algo vivo. A metamorfose epistemológica é puro prazer.
É cada vez menos sobre a capacidade de armazenamento, cada vez mais sobre a capacidade de esvaziamento e transformação; uma constante prática da flexibilidade e do desapego para não estancar no rio do conhecimento. Depois deste eclipse da visão (o mais racionalizador dos sentidos, dizia seu Jung, creio), em cada nota ao violão pareço seguir na direção contrária à anterior, como que desaprendendo um tanto de esquemas que haviam cristalizado, engessado a música em mim. Por quanto tempo remei contra a maré? Não há pranchas ou coletes e o barco se foi.
Não é um pedido de socorro. Não demanda resgate, não ainda, pas encore! É sobre aprender a boiar.
. |
|
|
| Zeitgeist nº19 |
[May. 31st, 2010|09:11 pm] |
| [ | Current Location |
| | Em breve, no chuveiro | ] |
| [ | Current Mood |
| | enthralled | ] |
| [ | Current Music |
| | Metallica - Suicide and Redemption | ] | .
Realizar sonhos pode ser mais fácil que extinguir problemas igualmente imaginários.
. |
|
|
| Faits divers - A primavera de nosso redescobrimento |
[May. 23rd, 2010|07:41 pm] |

.
Me explica a melancolia dos domingos a tarde? Estou contente por ter um domingo à tarde livre para me sentir melancólico.
.
Minha foto foi parar na primeira página do jornal depois de ser totalmente ignorada pelos organizadores do concurso para o qual ela foi tirada.
.
Inventário de sensações químicas: terremoto instantâneo, flexibilidade via fraqueza, músculos que se esquecem de como voltar de uma contratura, fome e ânsia de vômito simultâneas, euforia noturna, banzo vespertino, libido matinal.
.
É insana a renovação que a doença pode trazer, em troca de tudo o que leva. Posso sentir os sons e a vida pulsando nesse prédio; lembro de como o sentia vazio nas férias... Com o declínio da visão, passei a ouvir mais, cada som parece ter cores, texturas e até sabores.
.
Como pôde vir de tão longe e continuar inatingível?
.
Ganhei um selo de pedras - que todos dizem ser agora a minha "reputação"; o entalhador o fez com os pés. Por que é que não poderia caligrafar com a mão esquerda se o cara entalha com os pés?
.
Mirah - Generosity
Remember we held you Our bodies pressed against you We required nothing more Than what you'd provided for
The rings they tell me How sickness befell thee And all the wrongs we've dealt thee In spite of your generosity
It was all of my energy More than I wanted to give I am empty I won't give more
Am I still invited to stay I've worn my welcome There was more before I came
We've eaten unrestrained but now These green fruits will remain sour These clouds we've made cannot make rain
I gave you all of my energy And you took it without thanks You once showed such promise But now I won't give more
I won't give more/ We just want more
.
Não dá pra ficar sempre com medo de estar estragando a foto alheia.
.
Esse whopper na Expo Shanghai me faz lembrar daquele Mc Olimpíada que comi no dia em que soube ter ganho a bolsa para voltar à China.
.
Estou cansado de ser tudo ou nada, quando tudo o que eu quero é ser algo.
. |
|
|
| Sobre o que fazer com o fogo |
[May. 1st, 2010|10:37 am] |
.

Admito estar um pouco assustado com a tensão entre chineses e estrangeiros, remanescente de "um passado em que o intercâmbio ainda não era tão bom e éramos chamados de demônios", como declarei num talkshow para ver chinês arregalar o olho.
Fica melhor quando explico ser brasileiro e vejo rugas carregadas de história, um cuneiforme facial, transformadas naquele estímulo sereno da pagina em branco. Os olhos engendram um REM de milissegundo, nenhuma animosidade é encontrada no labirinto da mente; abre-se um sorriso franco os pés começam a mexer-se, chutando uma bola inexistente. "Baxi, football gooda gooda!"
Tenho sentido raiva de ser tratado em inglês... É um tipo de insegurança, complexo de inferioridade mesmo, que fica mais forte quando estamos fracos por dentro. Tenho levado a cabo com êxito a missão de estudar, trabalhar, divertir, descansar. Mas essa possibilidade de perder um olho de repente ainda ronda, opondo-se à minha necessidade de correr, girar, voar; esgotar a violência que tenho na alma de uma maneira saudável. Ela acaba irrompendo ao mínimo sinal de que alguém possa estar me desrespeitando. As vezes respondo aos "Hello"s com silêncio ou um ríspido "Não falo inglês". Outras vezes penso em Salinger e no Rock'n Roll que traio com uma afirmação tão ingrata; acabo respondendo e perguntando "O mundo é tão grande, tantas línguas, porque você acha que eu falo inglês?" Seguem então perguntas e explanações mil sobre a língua lusa, o que é cansativo, e o chineses são mais de um bilhão, mas "fogo de palha acaba logo isso é um fato, é de grão em grão que a galinha enche o papo". E viva a capoeira que eu canto mas não jogo; jogo aqui com as palavras então.
Os chinos também carregam algo assim na alma, um tanto parecido com as feridas da escravidão ou meus traumas com abandono. É o passado em que japoneses e "demônios do oeste" aqui aportaram ridicularizando e dominando o que puderam - dentre as honrosas exceções, nossush quiridush portuguesesh e o recém-devolvido enclave de Macau. O problema não é apenas ser ferido e dominado por algum poder bruto e injusto; mas a forma como ele geralmente explora nossas fraquezas, expondo-as a nossos olhos e ao mundo. A centelha que inflama a alma é saber que "sou tão melhor que isso" e receber de volta escárnio, descrença e outros tipos de recusa. Mesmo entre amigos, é complicado... Muitas vezes 99% de apoio vão por água abaixo com um comentário cirúrgico demais. Mas ainda acredito que verdadeira amizade está mais nesse 1% que em todo o resto, em saber ouvi-lo, compartilhar fraquezas e ter a certeza - muitas vezes ilusória - de que aquilo nunca vai ser usado para atacar um ao outro. Mas saiamos do intrapessoal e voltemos ao geopolítico.
Na última terça eu desviava os olhos da tela grande e perguntava "Já leu 1984?". O filme era sobre a trajetória do mestre do Bruce Lee, Ye Wenmen, lutando contra a dominação inglesa e as humilhações que sua filosofia e praticantes do boxe infligiam ao Kungfu chinês. Palmas e urros de regozijo ao passo que os punhos traiçoeiros do peso-pesado britânico são vencidos pela viturde marcial de IP Men (a tradução ficou bizarra mesmo). Vez ou outra eu olhava ao redor e explicava que realmente não era bretão; as risadas em resposta quase faziam injustificado o meu receio. Quase. Nunca foi tão nítida a alegoria do momento do ódio.
O contra-ponto foi a repentina gana do russão em libertar uma lanterna azul que guardava desde outros carnavais, ou festivais, por assim dizer. Lua cheia, céu claro, vento gentil; um certo receio da lâmpada cair e provocar um incêndio ou coisa do tipo. Mas ela continuou subindo com nossos medos e esperanças ao som daquela canção que embala o fim das rodas.

"Boa viagem!"
. |
|
|
| West Lake misty night |
[Apr. 19th, 2010|11:14 pm] |
.

Não é sobre o quanto enxergamos, mas como enxergamos.
It's not about how much we see, but how we see it.
不是我们看多少,而是我们怎么看。
. |
|
|
| Zeitgeist nº18 |
[Mar. 27th, 2010|06:56 pm] |
| [ | Tags | | | zeitgeist | ] |
| [ | Current Location |
| | Jia | ] |
| [ | Current Mood |
| | nerdy | ] |
| [ | Current Music |
| | Rodrigo B - Bed rest on a saturday night | ] |
.
Rodrigo: Hey, come in, come in. Sorry, I'm finishing this homework in a minute.
Andrey: ... It seems like this place hasn't been cleaned in a long time.
Rodrigo: ... Yeah. *That may be the russian way of being sincere, but still caring*
. |
|
|
| il faut continuer |
[Mar. 22nd, 2010|12:30 am] |
.

"Il faut continuer", disse o professor analisando meus rascunhos e perguntando sobre a condição do olho. É engraçado pensar que estou produzindo mais assim, com parcela da visão e 16 sessões diárias de remédios variados. E que a fraqueza dos meus músculos está permitindo que eles se tornem cada vez mais flexíveis... Parece que a chave da dificuldade era o meu medo de arrebentar.
E arrebentei-me de novo.
Como um grande último ato de sabotagem a coroar todos os outros com que fiz a transição do pânico de falhar em cada linha, movimento ou canção. Aquelas coisas que me faziam tremer, errar e perder um tempo injustificado pensando se valia a pena ou não faze-las de determinada maneira, quando as queria feitas da maneira que fosse. Ao ponto de já não ser. E é um saco sentir algo que era pra ser não sendo. E um porre insistir para serem o que não são; o algo, o alguém.
As cordas da Morena estão leves e macias, e de repente posso tocar um berimbau, cantar para pessoas fascinadas pela língua lusa e fazer jus ao dobrão que recebi ainda em Pequim de Mestre Malzbier. Ele me disse para nunca perdê-lo. Mas por que foi mesmo que o mantive tanto tempo guardado?
Algumas notas trastejam, os traços estão toscos e meu senso estético defasado; parado em algum quadrinho de capa e espada que não inspira a avant-garde du design chinois. Em quantos problemas e processos estéreis deixei a mente vagar para não pensar naquela coceira na mente que me chegava às mãos e só um lápis podia curar?
Sigo expelindo o lixo que se acumulou sobre o que pode haver de bom em mim. E lá no fundo há algo.
Algo que merece um zelador humilde e dedicado; não um mártir cotidiano.
. |
|
|
| navigation |
| [ |
viewing |
| |
most recent entries |
] |
| [ |
go |
| |
earlier |
] |
| |
|
|